Setembro amarelo – pela valorização da vida

Publicado por admin em setembro 4, 2017

A Aquarela começa o mês de setembro engajada na campanha para a valorização da vida,   trazendo a tona um assunto que deve ser discutido. Desde as escolas até no meio corporativo, o sofrimento mental pode ser silencioso no nosso colega, vizinho ou parente, e um acolhimento faz a diferença para eles.

O suicídio é um fenômeno presente em todas as culturas desde os primórdios da história da humanidade. Ele envolve características de aspecto emocional, mental, social e econômica.

O indivíduo é acometido de uma ambivalência de sentimentos, ele não quer morrer, mas quer terminar com a dor psíquica (ou físicas em casos médicos crônicos). Como o assunto é visto como um tabu e repleto de preconceitos, o sujeito é visto com estigmas, o que dificulta o pedido de ajuda ou de conversa. O assunto também costuma ser evitado.

Mas neste ano, a febre da “Baleia Azul” e a série adolescente “13 Reasons Why” levantaram interesse sobre o suicídio. Alguns pais perderam o sono e procuraram informação e ajuda de profissionais da saúde. Porém, ideação suicida não se faz presente apenas nos jovens, está presente nas outras faixas etárias, inclusive na terceira idade. E esse é mais um motivo pelo qual o assunto precisa ser discutido.

A boa notícia é o suicídio pode ser prevenido, desde que seja tratado como um caso de saúde pública e haja investimentos em projetos de informação e prevenção. Abaixo apresentamos alguns dados relevantes:

Dados da OMS

Segundo a Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS):

  • mais de 800 000 pessoas morrem cada ano por suicídio;
  • o suicídio é a segunda principal causa de morte entre jovens com idade entre 15 e 29 anos;
  • considera que apenas 60, dos 172 países membros, enviam dados de boa qualidade, na maioria, nações desenvolvidas;
  • estima-se que 28 países têm estratégias nacionais de prevenção de suicídio;
  • no Plano de Ação de Saúde Mental 2013-2020, os Estados-Membros da OMS se comprometeram a trabalhar o objetivo global de reduzir as taxas de suicídios dos países em 10% até 2020;
  • cerca de 75% dos suicídios ocorrem em países de renda média e baixa;
  • os homens de países ricos se suicidam três vezes mais que as mulheres;
  • em países de alta renda o maior índice de suicídio se diz a respeito do abuso de álcool e depressão;
  • 90% dos suicídios podem ser evitados;
  • no Brasil a média é de 6 a 7 mortes por 100 mil habitantes, o que é considerado baixo. Mas este não é um dado muito confiável, pois é preciso melhorar a qualidade dos dados em nosso país.

 

“A cada 40 segundos uma pessoa morre por suicídio”

(OMS)

Inteligência artificial e suicídio

A inteligência artificial (IA) pode oferecer a possibilidade de identificar padrões em tendências comportamentais suicidas, refinando as ações de prevenção.

Recentemente têm-se visto movimentos suicidas, como o já mencionado caso da “Baleia Azul”, que se destacam pela disseminação por meio das redes sociais. Além disso, existem também casos isolados de pessoas que manifestam seus sentimentos em postagens, também em suas redes.

Neste sentido, a implementação de algoritmos de inteligência artificial e técnicas de big data analytics aos dados de redes sociais podem viabilizar inferências precisas sobre indivíduos que precisam de auxílio. Empresas como o Facebook, Instagram e Google já anunciaram que irão usar IA em sua plataforma para prevenir e alertar.

Mas há muito mais coisas que podem ser feitas com novas tecnologias, com a união de tecnólogos, professores, psicólogos e demais profissionais. Tanto para incluir medidas preventivas e identificar possíveis suicidas, tanto promover um amparo por meio de uma rede de apoio.

Uma análise da Aquarela

Com base no registro de óbitos dos 645 municípios do estado de São Paulo de 2014, Joni Hoppen, um dos fundadores da Aquarela, analisou que:

  • entre 300.000 mortes, 2.223 foram suicídios;
  • ele identificou que a grande maioria das mortes são profissões (ocupações) não conhecidas ou informadas (NAs). A exceção do 715210(pedreiro);
  • a falta de identificação profissional pode levar ao suicídio ou também pode haver grande dificuldades dos profissionais da saúde e familiares em descrever as atribuições destas pessoas;
  • o Joni sentiu dificuldade em diferenciar se os pedreiros realmente cometem suicídio ou se são acidentes de trabalho informados como suicídio, dado questões trabalhistas.
  • ele aplicou um filtro por advogados e estes foram 18 e levando em consideração proporção de advogados no estado em relação a proporção de faxineiros, comerciantes e vigilantes demonstra que condições econômicas mais favoráveis também apontam nas estatísticas;
  • homens com alta escolaridade cometem mais suicídios.

O post completo você pode conferir aqui.

O ser humano elabora sua identidade a partir de relações pessoais, social e profissional. O trabalho representa significados sócio-histórico, o papel do indivíduo dentro da sociedade que ele ocupa interfere como os outros o veem e como ele mesmo se autoavalia. Quando essas visões são disfuncionais podem surgir adoecimentos, entre eles a depressão e o pensamento suicida.

Conclusão

Para que as pessoas que estão pensando em se suicidar não tenham vergonha ou medo de procurar um profissional é preciso acolhimento e informação.É necessário acolher a dor delas, sem julgamentos e preconceitos, mostrando interesse e se dispor presente.

A discussão sobre o assunto estimula a população e instituições a estabelecer estratégias e prevenções. Isso inclui iniciativa pública, privada e social.

Um dos objetivos de intervenção é recuperar a autoestima, promover o bem-estar mental/emocional e estabelecer vínculos afetivos que possam servir de rede de apoio para o indivíduo.

No Brasil temos o Centro de Valorização da Vida (CVV), uma ONG que oferece serviço gratuito e voluntário, sob total sigilo, de apoio emocional e prevenção do suicídio via chat, telefone, Skype e email.

 

Informações adicionais:

Cartilha sobre suicídio que o conselho Federal de Medicina distribui gratuitamente: http://www.flip3d.com.br/web/pub/cfm/index9/?numero=14#page/1

O primeiro relatório sobre suicídio no mundo da OMS: http://www.who.int/mental_health/suicide-prevention/world_report_2014/en/

Autores:
Daniela Zanesco
Psicóloga responsável pelo desenvolvimento de talentos e contratação na Aquarela Advanced Analytics. Entusiasta em novas tecnologias e como elas podem oferecer qualidade de vida para as pessoas. Linkedin
Wlademir Ribeiro Prates
Cientista de dados na Aquarela. Doutor e mestre em Administração na linha de Finanças pela Universidade Federal de Santa Catarina. Especialista em econometria financeira, finanças comportamentais, métodos quantitativos e mercado de capitais. Pesquisador com artigos científicos publicados em congressos e periódicos nacionais e internacionais. Linkedin
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