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Como Construir uma Plataforma Interna para Desenvolvedores Usando Kubernetes

Como construir uma plataforma interna para desenvolvedores usando Kubernetes

Em diversos cenários, o time de desenvolvimento depende constantemente da equipe de infraestrutura ou DevOps para tarefas simples: criar um namespace, liberar um bando de dados, provisionar um certificado, configurar um Ingress ou publicar uma nova aplicação.


Na prática, isso gera filas, chamados, retrabalho e atrasos. Enquanto o desenvolvedor espera pela criação do ambiente, os cenários se divergem e perdem velocidade e o time de infraestrutura se torna um gargalo.


À medida que a quantidade de aplicações e squads cresce, esse modelo deixa de escalar. O time de plataforma passa a atender dezenas de solicitações repetitivas, sempre executando praticamente as mesmas tarefas. 

É nesse contexto que surge o conceito de plataforma interna para desenvolvedores, também conhecida como Internal Developer Platform (IDP). Em vez de depender de chamados manuais, o desenvolvedor utiliza um portal ou template padronizado que automatiza a criação de tudo o que a aplicação precisa. 

Com Kubernetes como base, é possível criar uma plataforma self-service onde, em poucos minutos, uma nova aplicação já possui namespace, pipeline, deploy, observabilidade, DNS, certificado e governança. 

O que é uma plataforma interna para desenvolvedores?

Uma plataforma interna é um conjunto de ferramentas, automações e padrões criados para facilitar a vida dos desenvolvedores. 

Ela não significa “dar acesso ao cluster Kubernetes” para todo mundo. Pelo contrário: o objetivo é esconder a complexidade da infraestrutura e entregar uma experiência simples. Em vez de escrever dezenas de arquivos YAML, o desenvolvedor escolhe um template e informa apenas:

  • Nome da aplicação
  • Linguagem ou framework
  • Ambiente desejado
  • Quantidade de réplicas
  • Banco de dados necessário

A plataforma então cria automaticamente todos os recursos necessários. 

Problemas do modelo tradicional

Antes de construir uma plataforma, vale entender os problemas mais comuns do modelo manual: 

  • Dependência constante do time DevOps
  • Abertura de chamados para tarefas repetitivas
  • Falta de padronização entre aplicações
  • Erros manuais na configuração
  • Ambientes inconsistentes
  • Tempo excessivo entre desenvolvimento e produção

Exemplo de fluxo tradicional:

1. Desenvolvedor abre chamado solicitando namespace

2. Time DevOps cria namespace

3. Desenvolvedor abre outro chamado para DNS e certificado

4. Novo chamado para pipeline

5. Novo chamado para monitoramento

6. Deploy finalmente acontece dias depois

Como Kubernetes se encaixa nessa arquitetura

O kubernetes funciona como a camada central da plataforma. A partir dele, é possível padronizar:

  • Deploy de aplicações
  • Criação de namespaces
  • Configuração de Ingress
  • Limites de CPU e memória
  • Autoscaling
  • Monitoramento
  • Segurança e isolamento entre times

Uma arquitetura simples pode ser composta por:

  • Repositório Git com templates
  • Ferramenta de CI/CD
  • GitOps
  • Cluster Kubernetes
  • Ferramentas de observabilidade
  • Portal para os desenvolvedores


Novo fluxo resumido:

Desenvolvedor > Portal > Repositório Git > Pipeline > Kubernetes > Monitoramento}

Demonstrações em diferentes cenários

Cenário 1: Criação de uma nova API

Imagine que um desenvolvedor precise criar uma nova API. No modelo tradicional, ele teria que solicitar: 

  • Namespace
  • Bando de dados
  • Pipeline 
  • Ingress
  • Certificado SSL
  • Configuração de logs e métricas

Com uma plataforma interna, o fluxo pode ser: 


1. O desenvolvedor acessa o portal

2. Escolhe o template “Nova API REST”

3. Informa nome, linguagem e ambiente

4. A plataforma cria automaticamente: 

  • Repositório
  • Namespace
  • Pipeline
  • Deploy 
  • DNS
  • Certificado
  • Dashboard de monitoramento

Tempo total: poucos minutos. 

Cenário 2: Ambiente temporários para pull requests

Outro cenário extremamente útil é a criação de ambientes efêmeros. Cada pull request pode gerar automaticamente: 

  • Um namespace temporário
  • Deploy da branch
  • URL exclusiva
  • Banco temporário

Assim, o time de QA (Quality Assurance) ou o cliente consegue validar a mudança antes da aprovação.

Ao fechar o pull request, o ambiente é destruído automaticamente, reduzindo custo e mantendo o cluster organizado. 

Perguntas e respostas

Preciso dar acesso direto ao Kubernetes para os desenvolvedores?

Não. O ideal é que a plataforma esconda a complexidade do cluster. O desenvolvedor deve interagir com templates YAML, pipelines ou portal.

Preciso começar com todas as ferramentas de uma vez?

Não. O melhor caminho é criar um MVP. Por exemplo: 


1. Namespace automático.

2. Template de aplicação. 

3. Pipeline padrão.

4. Deploy automático

Qual a principal ferramenta para começar?

Se a empresa já utiliza Kubernetes, um bom começo é: 

  • Git
  • Helm
  • ArgoCD
  • Pipeline CI/CD

Com isso já é possível criar uma experiência muito melhor. 

Conclusão – Como Construir uma Plataforma Interna para Desenvolvedores Usando Kubernetes

Construir uma plataforma interna para desenvolvedores usando Kubernetes não significa apenas automatizar deploys. O verdadeiro objetivo é remover gargalos, padronizar ambientes e permitir que os desenvolvedores entreguem valor mais rapidamente. 

Ao substituir chamados manuais por automação e self-service, a equipe ganha velocidade, reduz erros e libera o time DevOps para atuar de forma mais estratégica. 

O ponto mais importante é começar pequeno. Em vez de tentar criar a plataforma perfeita logo no início, vale construir um primeiro fluxo simples: criação automática de namespace, pipeline e deploy. 


Com o tempo, a plataforma pode evoluir para incluir para incluir observabilidade, ambientes temporários, provisionamento de banco de dados e um portal completo para os times. 


No fim, a maior mudança não é tecnológica, mas cultural: a infraestrutura deixa de ser apenas suporte e passa a ser tratada como um produto interno para acelerar todo o negócio. 

Quem é a Aquarela Analytics?

A Aquarela Analytics é vencedora do Prêmio CNI de Inovação e referência nacional na aplicação de Inteligência Artificial Corporativa na indústria e em grandes empresas. Por meio da plataforma Vorteris, da metodologia DCM e o Canvas Analítico (Download e-book gratuito), atende clientes importantes, como: Embraer (aeroespacial), Scania, Mercedes-Benz, Grupo Randon (automotivo), SolarBR Coca-Cola (varejo alimentício), Hospital das Clínicas (saúde), NTS-Brasil (óleo e gás), Auren, SPIC Brasil (energia), Telefônica Vivo (telecomunicações), dentre outros.

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